Nunca te vi, Sempre te amei


Domingo , 09 de Abril de 2006


 

SENTIMENTO INÓCUO

 

 

 

 

Foto: Autor desconhecido

 

 

 

Ainda me encontro apaixonada! Em uma noite de agosto, ele me veio...descrente, cético, inteligente, lindo. Invadiu-me os pensamentos e seduziu-me. Toquei-o sutilmente. Não com as pontas de meus dedos, mas com as pontas de minhas palavras. Veio-me no momento em que não pedia alguém, muito embora não estivesse namorando, nem poderia, porque namorar não é algo que se faça sozinha. Éramos dois corpos sem rumo noturno, estávamos por aí esbarrando em coisas. Não obstante se possa esbarrar em pessoas também. Foi assim que nos encontramos...esbarramos-nos. Pode não parecer especial dizer assim, mas por ter sido em uma noite linda de agosto, me fez acreditar que aquele era o melhor dos momentos. Passo por um incômodo incessante. Tenho muito mais dúvidas do que certezas. Espanto-me com o que não posso tocar, nem olhar, descubro que é incômodo da alma. Alguns chamam isso de loucura, outros dão o nome de devaneios. Eu prefiro reconhecer este sentimento como amor. Sei que surgiu em mim um desejo quimérico, um impulso, uma necessidade insana... ...Talvez este desejo tenha se abrigado em mim, talvez tenha me escondido nele e precise dele para achar o que falta em mim. Sou tão frágil que planejei tudo com medo de errar. Lembro-me de uma frase do meu professor de música neste momento. "Erre! Mas erre bonito, erre sem medo!” Deveria ter me lembrado desta frase antes, talvez errasse com mais beleza, com mais graciosidade. Até errando, importa que se acerte! Nem mesmo sei se errei, mas devo ter errado sim, na tentativa eufórica de acertar. Também se erra por amar! Eu apostei no amor e talvez ele existisse somente para mim, na minha fértil imaginação. Precisava viver uma paixão violenta, arrebatadora, que me consumisse as forças, me fizesse sumir o ar e perder o fôlego. Que me incitasse a cometer loucuras desmedidas, porém comedidas. Um amor mútuo, com delírio da alma, correspondido louca e perdidamente. Queria uma boca faminta de meu gosto. Queria ocupar sua existência no tempo e no espaço e nos tornarmos "um"... Um amor que possa fluir, desprendido de qualquer outro compromisso, sem reservas, sem limites, sem cobranças. Sabe aquele sentimento de quando se tem certeza que se ama e que não vê a hora de estar junto?  Sentir seu calor, seu toque, seu perfume? Poder abraçar, agarrar, beijar, morder, pular no colo e se pendurar em seu pescoço? Em um dia fazer amor, com todo o romantismo que exista entre duas pessoas que se amam verdadeiramente, no outro...fazer sexo, sussurrando palavras obscenas, bem baixinho no ouvido um do outro. E ainda em outros, somente momentos de ternura, companheirismo e poder brincar de rolar na cama...É isso!Um amor assim mesmo, intenso e calmo, tudo ao mesmo tempo, assim como o cheiro que sai do asfalto quente depois de uma chuva de verão. Talvez queira muito de uma só vez, ou esteja iludida em encontrar esta mesma disposição em uma única pessoa. Mas a verdade é que eu só tenho um desejo...o desejo de viver tudo isso com ele. Então...de repente, aprendi a usar a dor e a escrever. Ele nunca mais me apareceu. Talvez, já tenha alguém em meu lugar, eu que nem percebi, só porque acreditava quando dizia que me amava...que me amava muito, e já nem sei do seu paradeiro. Lá se vai a vida, que horas são?

 

 

 

Escrito por Carla às 16h11
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