
Foto: Paulo Santos
"O DIA EM QUE DESCOBRI QUE, SE PUDESSE ESCOLHER, SERIA UMA GIRAFA COM MUITA HONRA, MAS NÃO SOBREVIVERIA CASO FOSSE UM TATU-BOLA."
Se existe um canal de TV que me agrade é o Discovery. Ficaria um dia inteirinho - como já fiz em finais de semana - assistindo sobre o mundo animal e aprendendo muito com ele. Tudo o que se refere a este mundo encantador muito me agrada. Desde o mais hostil ao mais manso, do microscópico ao búfalo. Se alguns me causam certa repugnância, confesso, outros me deixam extasiada por sua beleza e docilidade. Já outros são bem peculiares e interessantes em seu modo de viver, como a girafa, por exemplo. Esbelta, elegante, calma, serena, não emiti som algum, porém extremamente seletiva quanto a seus parceiros. Indiscutivelmente, seria uma girafa, pensei comigo mesma. Mundo prático este! Quando um pretendente se revela interessado, vai logo encostando - são ousados os "girafos"...rs...(sei bem se tratar de uma girafa-macho). Em agradando, ela o aceita e o sexo rola de boa. Caso contrário queridos, tal pretendente que se prepare, pois o coice é certeiro e deve doer pra burro...hahahaha, como ri ao ver isso. Fez-me lembrar de certa feita, quando cursava minha primeira faculdade - primeira, porque não pretendo parar de estudar nunca - fui a um congresso da Administração. E como não dirijo "nadica" em São Paulo, no retorno tomei um metrô sentido Jabaquara. Era horário de pico e já não havia assentos vagos e a cada estação o vagão ia lotando ainda mais. Não esperava que alguém não encostassse a mim, mas...êpa...não daquela maneira, tão sutil ao mesmo tempo que agressiva. Foi como um cutucão em um botão qualquer que acionou logo o alarme ...PERIGO!...PERIGO!...PERIGO!...Minha reação de imediato - bem precipitada na verdade - foi uma "bufada" e franzida de testa, que se desfigurou ao perceber o perfume que exalava no ar, algo bem parecido com Zegna...talvez, agradando logo de cara. Uma olhadela de rabo de olho para conferir se não era uma roubada, foi inevitável. O seu braço direito saia de minhas costas como se fosse meu segundo braço. Muito bem trajado, parecendo ser a manga de um terno marinho, deixando à mostra um punho branco de camisa e uma pulseira dourada de um...Rolex...talvez???...hahaha...viajei!!! - não vi a marca. A mão enorme - diga-se de passagem - que segurava na ferragem do vagão logo acima da minha, mais parecia uma luva de box. Lado direito conferido! Uma viradinha básica de pescoço para conferir o esquerdo. Valise executiva e um Estadão ajeitadamente dobrado, seguros pela enorme mão, que parecia sustentá-los com firmeza. A valise em concordância com os sapatos pretos, muito bem engraxados, fazia uma bela composição. Feita a conferência, logo soa o alarme...APROVADO!...APROVADO!...APROVADO!... Porque, caso contrário queridos, mirava o salto fino de minha bota em um de seus pés e jogava todo o meu peso nele, até ele gemer e ainda diria: "Nossa como sou desatenta, me perdoe." (Com toda a educação e cara de pau que me é peculiar!)
(Cont...)