Nunca te vi, Sempre te amei


Quinta-feira , 15 de Dezembro de 2005


CAPÍTULO I

Ela olhava para o mar pela janela do apartamento no litoral paulista, num olhar que se perdia no horizonte azul. Tomara a decisão de que voltaria a morar sozinha novamente. Precisava rever seus valores, buscar sua potencialidade, encontrar sua identidade fora de um sistema fátuo e manipulador. Sabia que conseguiria e desejava não mais fazer parte dele. Queria sua independência, o direito de ir e vir, suster-se com seu próprio trabalho. Abster-se da posição cômoda, de uma vida farta e despreocupada, que lhe fora oferecido desde que nascera. Capitalismo Selvagem, como diria o Alexandre. Um sistema que dita as regras e manipula a classe pobre menos favorecida. O apartamento era perfeito, não teve dúvidas de que seria ele. O jardim da orla era magnificamente bem cuidado. O design interior da nova casa foi carinhosamente  projetado por ela. O mobiliário exclusivamente desenhado, as luminárias, as peças que fariam a composição, reluziam ao sol claro de setembro que as cortinas deixavam entrar em sua sala. Tudo fora meticulosamente escolhido por Carla e traziam um toque especial seu. Sagitariana, detalhista, de certa forma exigente que não abre mão de seus ideais. Estava se entregando de corpo e alma a esta nova fase e fazia como se com ele estivesse. Carla parou de olhar para o jardim com um breve suspiro. Estava reflexiva como de costume, pois sabia ter que se afastar definitivamente  de Alexandre. Sentia-se culpada por causa de sua família e seu sonho se perdia. Mesmo sabendo que tinham uma ligação que ultrapassava as palavras, o tempo, e a distância que haviam encarado juntos. Às vezes, Carla sentia que eles eram duas pessoas com uma só alma. Ela entendera e aceitara a decisão de Alexandre, em manter a pequena  'B' sempre feliz. Nada fazia amá-lo mais que ver o amor que ele nutria pela filha. Isso fazia com que Carla a amasse como se sua filha fosse. 'B' era uma criança adorável e tinha que ser prioridade. A vida de Alexandre dependia disso, era sua missão e Carla compreendia que se algo desse errado o tornaria infeliz para sempre. Carla e Alexandre havia se conhecido à aproximadamente três anos em uma das poucas vezes em que não estava na companhia da família. Alexandre trabalhava em multinacional, mas o que impressionara Carla quando se conheceram, fora seu jeito silencioso e modesto. Alexandre é muito discreto e nada presunçoso, e Carla havia gostado instantaneamente disso nele. Tranqüilo e irresistivelmente sedutor. Ela se aproximara  propositalmente e apreciara  imensamente sua companhia aquela noite. Percebeu-se apaixonada, mas não sabia nem 10% da emoção que a aguardava e de quanto esta paixão se tornaria alucinante. Não havia espaço para mais nada em seus pensamentos e tudo lhe fazia lembrar dele. Ficara fascinada por suas histórias e agradavelmente surpresa a cada retorno dele durante as semanas seguintes. Uma arrebatadora paixão se formara entre eles, só não esperava terem que se afastar tão cedo. Mesmo com a distância e o passar do tempo esta paixão se fortalecia. No início Alexandre ligava quase todas as noites e quando ele não ligava, Carla se sentia como uma flor murcha, absorvendo o sol e chuva. As coisas sobre as quais falavam alimentava sua alma, os telefonemas e os raros encontros a sustentavam. Ele ligava pela madrugada ou quando estava no trabalho até mais tarde. Carla gostava tanto de falar com ele e tinham tantos interesses em comum. As coisas que diziam um ao outro nunca eram impróprias e inadequadas. Alexandre nunca lhe fizera alguma promessa, nunca lhe faltara com a verdade ou lhe tratara com falsidade. Sempre se manteve íntegro, honesto e demasiadamente preocupado com a integridade moral de Carla. Sentia-se deliciosamente amada por ele e sabia ser o homem de sua vida, com quem sempre sonhara, porém tinha certeza de que jamais seria seu. Jamais seriam "ele e ela", jamais. E isso a fez chorar por muitas vezes.

Escrito por Carla às 01h48
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Escrito por Carla às 01h17
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Quarta-feira , 14 de Dezembro de 2005


GOSTARIA DE COMPREENDER PORQUE SEMPRE PERCO  TUDO O QUE GOSTO!

Escrito por Carla às 13h32
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