Nunca te vi, Sempre te amei


Segunda-feira , 03 de Outubro de 2005


UMA CARTA QUE NUNCA SERÁ ENVIADA

               

                    Foto:  A nossa janela para o mundo/Hugo Amador

Tentei dizer a mim mesma que não te amava mais. Tentei te encontrar em outro, busquei qualidade que são suas, mas só te achei nos livros, nas palavras. Quis em vão te substituir do meu coração, como se possível fosse. Não deu! Quero que saibas que tentei! A um pedido seu, tentei. Mesmo não querendo a princípio, mas como havia me pedido, então o fiz. Disse-me que seria necessário, que eu precisava dar oportunidade a outra pessoa e que desta forma estaria nos ajudando. Quanto mais tento, mais tenho a certeza de que é impossível te esquecer. Cheguei a me enganar de que conseguiria, de que tinha razão. Projetei você em outra pessoa, mas percebi ser apenas projeção daquilo que eu sinto por ti, porque tentei acreditar que amar era só conseguir ver, porque busco em outro alguém qualidades que só encontrei em você e me decepciono quando percebo que és único e que já tens dona. Então choro porque sei que nunca será meu. Aprendi que existem coisas que não estão destinadas a acontecer, enquanto outras são simplesmente inevitáveis, independe de nossa vontade. Permiti que me magoassem, porque insisti em tentar. Insisti por você, por nós. Senti-me humilhada e lembrei-me de quando me pediu para nunca me humilhar a homem algum, para ter boa auto-estima e que eu continuasse a minha vida independente de quem quer que fosse e me fez prometer que a aproveitaria. Lembrei de sua preocupação quanto a minha integridade moral, do quanto foi maravilhoso para mim e que nunca me magoou. Que sempre foi íntegro e honesto comigo desde o início. Lembrei-me de como só com uma palavra sua, conseguias transformar o meu mundo e torná-lo tão mais belo. E hoje, mesmo sem sua presença, busco no ar o seu aroma, querendo senti-lo todos os dias me revistem de ti ouvindo a nossa canção e sinto-me segura, mesmo que a música pare, perco-me em meus sonhos para encontrar-me em seus braços.  Bem sei que não nos veremos mais, não saberá mais de mim e eu não buscarei saber notícias suas. De tudo que passamos, de tudo o que vivemos resta apenas recordações, aquelas que as minhas mais doces lembranças avivam para mim quando a saudade aperta.

Carla Cristina

Escrito por Carla às 02h54
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